Se você acompanha o setor automotivo, provavelmente já ouviu falar do avanço acelerado da Xiaomi na produção de carros elétricos. A fabricante chinesa vem produzindo um veículo a cada 76 segundos em sua fábrica ultrarrobótica em Pequim. Isso mesmo, 76 segundos!

Essa velocidade impressionante é resultado de um investimento forte em automação: cerca de 700 robôs, coordenados por inteligência artificial, comandam praticamente todo o processo, com 91% de automação na linha de produção. Além disso, o design dos carros da Xiaomi tem sido frequentemente comparado a modelos de luxo, mas com preços muito mais acessíveis, uma estratégia que lembra a sua trajetória com smartphones.

Essa velocidade e eficiência ajudaram a empresa a alcançar mais de 650 mil carros elétricos vendidos em apenas dois anos e quase 300 mil pedidos só na primeira hora após o lançamento do SUV YU7 em 2025. A Xiaomi também está alinhada com um ecossistema integrado de dispositivos pessoais e casa inteligente, fortalecendo sua proposta de valor.

Esse crescimento faz parte de uma política ampla do governo chinês, que incentivou o desenvolvimento dos veículos elétricos com subsídios, placas verdes para facilitar a circulação e a construção da maior rede mundial de estações de recarga. A China é hoje líder mundial no setor, respondendo por seis em cada dez carros elétricos vendidos globalmente e oferecendo cerca de 700 modelos no mercado local.

No entanto, o governo chinês já sinaliza uma redução nos subsídios para o setor, diante de uma desaceleração no consumo interno e uma capacidade produtiva instalada que excede a demanda. Com isso, várias montadoras chinesas, incluindo a Xiaomi, já planejam expandir internacionalmente. A Xiaomi, por exemplo, deve iniciar sua expansão na Alemanha a partir de 2027, enquanto outras marcas olham para a Europa e o Brasil.

Apesar dos desafios e da concorrência global, o avanço da Xiaomi e das montadoras chinesas nos carros elétricos mostra como a combinação de tecnologia, estratégia e políticas públicas pode movimentar todo um setor. Para quem está no atacado, essa história indica como o mercado e a produção de veículos elétricos vêm se transformando, com impactos que vão além das fronteiras da China.